
Quando falamos em Indústria 4.0, temos que voltar ao passado para entender a evolução dos meios de produção e consumo da sociedade humana. Antes da Revolução Industrial, basicamente a produção de bens e serviços era manual, artesanal e familiar (e a grande parte da sociedade se empenhava em trabalhos agrícolas). Após a Revolução, que ocorreu na Europa do século XVI, a produção de bens foi otimizada com a implantação de máquinas mecanizadas - por exemplo, a máquina de fiar (indústria têxtil) e a máquina a vapor.
Após esta grande mudança de paradigma na sociedade, a Segunda Revolução Industrial no século XIX trouxe uma nova forma de produzir e consumir bens e serviços. Máquinas e equipamentos movidos a combustão aceleraram a industrialização e, por conseguinte, promoveram uma mudança drástica nos meios de produção ao intensificar e aprimorar os projetos de linhas de produção. Com esta nova forma de produzir, as empresas passaram a atender a um maior número de consumidores através da produção em massa. Neste período, destaca-se a implantação de modelos de produção revolucionários, como o Fordismo (de Henry Ford) e o Taylorismo (de Frederick Taylor).
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| Fábrica da Ford na implantação do modelo Fordismo. |
Na Terceira Revolução Industrial, ao qual somos mais contemporâneos, houve não só uma revolução na indústria, como também a intensificação do fluxo de comunicação através da internet, o que possibilitou a aproximação de países e pessoas (no processo que conhecemos como Globalização). Neste momento da história, a partir de 1970, os computadores se tornaram essenciais na geração de valor nos negócios, no consumo das pessoas e na interação homem x máquina. A partir de então, conhecemos o termo 'Tecnologia', na sua forma mais plena e, da qual respiramos atualmente. Além disso, presenciamos a transição do analógico para o digital.
E agora? Estamos na Indústria 4.0?
A resposta é: estamos na transição. Hoje em dia, é inegável que a internet (da 3ª Era) revolucionou completamente todo o estilo de vida da sociedade moderna. Toda nossa rotina, costumes, hábitos e práticas estão inteiramente ligados aos resultados desta revolução. Por exemplo, ao pedir comida no iFood, ou solicitar um serviço de transporte no Uber, estamos sempre conectados a rede mundial de computadores, internet.
Porém, a humanidade caminha a passos largos para a Quarta Revolução Industrial, que já acontece em alguns países, tais como a Alemanha. Na Indústria 4.0 a internet passa a estar nas coisas, permitindo que objetos se comuniquem entre si sem que haja a interação humana. Por exemplo, máquinas tomam decisões baseadas no seu próprio conhecimento armazenado (é o Learning Machine) e transmitem dados para outras máquinas funcionarem conforme sua lógica. É o surgimento de linhas de produção 100% autônomas, reduzindo a quase zero a necessidade de mão de obra humana na linha.
Outras novidades da Indústria 4.0 incluem:
- Robótica;
- Inteligência Artificial;
- Realidade Aumentada;
- Big Data;
- Nanotecnologia;
- Impressão 3D;
- Biologia Sintética.
Estamos falando de uma nova era industrial, baseada inteiramente na infraestrutura de TI - Tecnologia da Informação, com uso total da internet. Também, estamos falando de novos produtos e serviços que ainda não estão disponibilizados para consumo, porém, encontram-se em fase de fabricação, como robôs. Ou seja, a tecnologia e as novas invenções passam a ocupar o lugar de destaque na produção de bens e serviços, trazendo o aprofundamento da tecnologia no dia a dia das pessoas. Estima-se ainda que, neste processo de aprofundamento, o mundo físico e o virtual serão uma coisa só.
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| A Internet das Coisas permitirá que dispositivos conversem entre si, sem a interação do homem. |
Se tratando de meios de produção, a Indústria 4.0 traz a possibilidade de cadeias produtivas totalmente conectadas e capazes de tomar decisões sem qualquer programação humana. As máquinas adaptam o processo produtivo de acordo com as necessidades de produção e as condições para produzir, garantindo eficiência, economia e racionalização no uso de insumos. Esta inteligência das máquinas também possibilitará a maior customização do que é produzido e, ao mesmo tempo, atendendo em maior capacidade as necessidades da sociedade.
Sim, estamos falando de uma mudança radical na estrutura da sociedade humana, em que iremos experimentar e consumir novos produtos e serviços. Como profissionais de Engenharia, precisamos acompanhar todas as mudanças para a nova era industrial, já que lidaremos diretamente com estes novos desafios nas empresas e indústrias, precisando pensar, projetar, implantar e gerir estes novos meios de produção.



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