Recentemente publicamos aqui no Engenharia e Gestão um artigo sobre Planejamento Estratégico (clique aqui para ler). Nele, conhecemos os objetivos de um plano estratégico empresarial, as diretrizes estratégicas formuladas pelas organizações e os benefícios de um plano desdobrado corretamente.
Neste artigo, vamos conhecer as etapas do Planejamento Estratégico e acompanhar um exemplo de uma empresa fabricante de sorvetes. Vamos lá!
O princípio da Estratégia e seu processo
Para contextualizar, vamos voltar um pouco e conhecer o que é Estratégia. Este termo, muito utilizado atualmente, vem do grego 'strategos', que significa basicamente 'Comando militar'. Aliás, foi com as forças armadas de diversos países, durante os séculos XIX e XX, que este conceito de Planejamento Estratégico surgiu. Um exército precisa de estratégia para vencer o inimigo, alcançando seus objetivos através da alocação de recursos (financeiro, humano, tempo, etc). Coordenar a aplicação destes recursos requer planejamento: conhecer o inimigo, o território, enfim, todas as variáveis que podem afetar no desempenho deste exército.
Da mesma maneira isto ocorre com as empresas, em seus ramos de atuação. As organizações tem concorrentes e disputam a preferência dos clientes, seu público-alvo, fonte do lucro. Para se destacar, cada organização adota uma estratégia: custos mais baixos, maior valor agregado ao produto ou serviço, comodidades para o cliente, etc... Tudo isto é definido no Plano Estratégico de Negócio, que não é só um documento, mas um programa de médio/longo prazo que irá nortear todas as ações e investimentos da empresa, assim como, se desdobrar nos projetos e processos executados.
Um Plano Estratégico não nasce da noite para o dia, sua elaboração e implatação requer aplicação de recursos, metodologias, recursos humanos (sobretudo experts no assunto) e dinheiro, já que a partir do plano estratégico, a empresa terá "deveres de casa" para se organizar, o que requer investir em novos projetos.
Mas como a empresa fará tudo isso? Bom, existem algumas metodologias que podem ser empregadas para nortear a formulação, implantação, desdobramento e controle do planejamento estratégico. Há diversos autores que sugerem métodos e etapas neste momento, porém, todos se convergem para os mesmos pontos. Vamos conhecer as etapas com base nos autores CERTO, Samuel C.; PETER, J. Paul; MARCONDES, Reynaldo Cavalheiro, da obra Administração estratégica: planejamento e implantação da estratégia.
As 5 etapas do Plano Estratégico
Os autores citados acima, que compuseram o livro Administração Estratégica, definiram as 5 etapas do planejamento estratégico conforme imagem a seguir (e explicaremos cada uma delas):
Observação: o método citado neste artigo não é regra, ou seja, as equipes e organizações podem adotar estas ou outras etapas para compor seu plano estratégico, assim como, utilizar outras ferramentas para obtenção, tratamento, e análise de dados para tomar decisões.
Etapa 1 - Análise do ambiente externo: na primeira etapa, a organização deve olhar para o cenário externo e interno com o objetivo de identificar oportunidades e ameaças; aqui, todas as variáveis devem ser levadas em consideração: fatores demográficos, econômicos, sociais, políticos, legais e tecnológicos que impactam direta ou indiretamente no negócio;
Etapa 2 - Estabelecimento da diretriz organizacional: passada a primeira etapa de contextualização e entendimento do cenário externo, agora é hora de olhar para o interno; aqui estamos falando de um diagnóstico da própria organização para identificar suas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças.
Etapa 3 - Formulação da estratégia: após identificar todos os fatores externos e internos que influenciam a organização, chegou a hora de definir a estratégia a ser adotada pela empresa em todas as suas ações. As estratégias genéricas, competitivas, de inovação ou baseadas no conhecimento devem ser elaboradas em função do diagnóstico obtido nas etapas anteriores.
Etapa 4 - Implementação da estratégia: é a fase "D" do plano estratégico, pois, aqui a empresa deve garantir que o plano será concretizado - e isto não acontece da noite para o dia! Requer treinamentos, ações educativas, mudança de cultura e muito, muito compartilhamento de conhecimento. Todos os colaboradores, de todos os níveis, devem desempenhar suas funções olhando para o plano estratégico.
Etapa 5 - Controle estratégico: como saber que a organização, após implantar seu plano, está colhendo os benefícios? Este controle deve acontecer por meio de métricas e atributos chamados de INDICADORES. Existem modelos famosos de indicadores estratégicos, como o BSC - Balanced ScoreCard e os OKRs - Objectives and Keys Results. Se os indicadores demonstrarem que há algo de errado, vale o bom e necessário ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action) com o intuito de corrigir o que está errado e proporcionar melhoria contínua para a organização.
A sistemática do planejamento estratégico garante os benefícios:
- Atuação em forma de projeto;
- Conhecimento de TODOS os aspectos, externos e internos, que influenciam na operação do negócio, portanto, devem ser considerados na estratégia;
- Atuação por etapas para concentrar recursos e diminuir custos;
- Estratégia alinhada com o mercado de atuação - forte olhar para a concorrência;
- Visão a médio e longo prazo, com vistas na correção de problemas ao detectá-los (vide a Etapa 5).
A elaboração de um excelente plano estratégico pode ser o divisor de águas para uma organização, ditando inclusive a sua permanência e relevância no mercado. O planejamento estratégico deve ser encarado pela governança corporativa como peça fundamental para a execução de todos os processos da empresa, já que a saída deles garantirá a perenidade e a operacionalização do negócio, assim como, sua lucratividade e a satisfação dos clientes.


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